sexta-feira, 8 de março de 2019

Um dos maiores problemas dos estudantes de canto


Sabe qual o maior desafio que um estudante de canto tem em sua busca por desenvolvimento?

Agudos? Melismas? Distorções Vocais? Belting? Passagem? Medo de palco? Qual você acha?

Não é nada disso, o maior problema é falta de entendimento entre as diferentes escolas de canto no que se refere à linguagem utilizada.


Explico com um exemplo:

Belting é voz de peito? Sim ou não?

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E a reposta é sim e não, depende de quem fala e de qual conceito tem de voz de peito. 
Eu já mencionei em outras ocasiões que o termo "voz de peito" não me agrada, pois pode trazer imagens e um histórico que muitas vezes atrapalha o cantor. Isso significa dizer que dizer "voz de peito" está errado? Obviamente não. Atualmente muitos profisionais da voz querem imprimir suas marcas no mercado e acabam desprezando séculos de história que deu certo e que nos deu grandes ídolos. Existem relatos do uso de "voz de peito" e "voz de cabeça" ou algo similar desde o século XIII, bem antes de se falar em ópera, antes que alguém venha dizer que "é coisa que só se apllica na ópera". Eu não uso, mas sei que não é errado e que há quem adore o termo e seja extremamente competente, é uma questão de gosto.

Mas aí volta a questão do Belting. Para algumas pessoas, voz de peito é uma voz que tem vibração no peito, para outras é uma voz produzida quando há maior atividade do músculo TA, e temos aqui outro problema. Lembra que o TA tem diferentes feixes? Sim, tem um feixe que encurta as pregas vocais e outro que as aproxima (movimento de adução). Quando alguém diz que voz de peito é a que tem predomínio do TA pode estar falando que é uma voz onde há encurtamento das pregas vocais, ou seja, direcionamento para notas mais graves da voz, ou pode estar falando de uma voz com maior adução, o que gera maior sensação de peso na voz.

Temos aqui o começo da discórdia. Para aquele que define que peito é TA encurtando pregas vocais, belting jamais será voz de peito, pois belting é agudo, não faria sentido algum. Para o que vincula peito a adução, belting é sim voz de peito. Quem está certo nesse caso e quem está errado? Os dois estão certos e errados, apenas não pararam pra especificar sobre o que estão falando. E onde entra a sensação de vibração no peito nessa história? Não entra...
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Aí vai o estudante de canto, cheio de vídeos, métodos e instruções na cabeça e tenta fazer o belting que é peito segundo alguns mas não pode ser peito segundo outros... Entendeu o drama? O cara se confunde todo e trava a voz simplesmente por que entrou nessa mistura de conceitos e egos inflados, em que a ideia de quem fala é sempre a certa e a do outro sempre a errada, sem parar pra tentar entender a razão da desavença.

O mesmo ocorre em inúmeros outros casos, certamente você já lembrou de algum que aconteceu com você. 

O importante é buscar uma linha de raciocínio que te agrade e que te faça entender como a voz é produzida e que siga um programa de treinamento funcional da voz. Só dessa forma você conseguirá traduzir o que se fala por aí e entender que muitas vezes por trás da vontade de ter razão existe uma forma de trabalho pode ser excelente, mas que gasta muita energia brigando com gente que está falando coisas diferentes em situações diferentes.

Nosso papel de educadores de cantores (não apenas de vozes) é o de esclarecer as coisas e oferecer opções, não a de aparecer e virar estrela e donos da verdade absoluta. Lugar de estrela é no palco, quem opta por estar nos bastidores deve entender que muitas vezes a vontade de brilhar atrapalha e tira o sentido dessa função tão incrível.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Cantar “rasgando a voz” pode ser uma prática saudável?

Esse é o título da comunicação que escrevi para o pediódico DIC - Distúrbios da Comunicação, junto com minha orientadora do mestrado, a fonoaudióloga Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva.

O texto é um panorama geral sobre as distorções, as pesquisas realizadas, os métodos de ensino e o que se sabe sobre a manutenção da saúde vocal ao realizá-las

Eis o resumo da obra: Cantar com a voz distorcida ou rasgada como é mais conhecido popularmente é comum em diversas formas de canto e não apenas no rock. As chamadas distorções vocais intencionais estão presentes na música há muitos anos e nas mais diversas culturas humanas. Mesmo assim esses tipos de produção ainda esbarram em preconceitos no sentido de se considerar, sem comprovação científica, que são prejudiciais à saúde vocal. O objetivo desta comunicação foi refletir sobre as distorções vocais intencionais no canto em um diálogo entre a Música e os campos que estudam a voz cantada como a Fonoaudiologia e a Laringologia. Na perspectiva de expandir o conhecimento sobre essas formas de emissão e relacionar as pesquisas que investigaram o assunto.

Se você quiser ler o texto na íntegra, é só baixar o PDF, de graça, no link: https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/38335

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Aulas de canto online - ZOOM

Já falei bastante de aulas de canto pela internet or aqui, mas agora gostaria de fazer uma atualização:

Skype já era!!!

Pois é, já a algum tempo depois de anos lidando com o pesado e limitado Skype aderi ao programa que muitos recomendam nos EUA, o Zoom.

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Vamos falar das vantagens:
- O programa é mais leve, consequentemente seu computador é menos sobrecarregado e a transmissão da aula é melhor
- A primeira vantagem já seria suficiente, mas tem outra ótima, no Zoom você tem um botão pra gravar direto na tela. No Skype você precisava usar um programa esterno, que muitas vezes falhava e/ou era pago. No Zoom não, é só dar o REC e assistir depois. Gravar em vídeo é uma super vantagem até sobre as aulas presenciais.

Tem desvantagens?
- Na primeira vez que você abre o Zoom você tem que configurar as entradas e saídas de áudio, pra isso, é só ir no settings e fazer os testes que ele dá automaticamente, é bem simples e não chega a ser um problema, mas foi a única desvantagem que achei (veja como abaixo).

Pra quem não conhece, vale baixar no www.zoom.us
Se você faz aula, fale pro seu professor experimentar, se você dá aula online, não perca tempo e mude já.

Se quiser fazer aulas online comigo é só entrar em contato pelo e-mail: mauro.bf@gmail.com
Além das aulas e preparação vocal tradicionais também estou ministrando consultorias de acústica vocal e uso do programa Voce Vista Video pelo Zoom, é ótimo pois serve como um grande complemento ao Ver a Voz e ao curso de Pedagogia e Ciência Vocal, já que você pode usar os programas e ver se está conseguindo entender na hora, enquanto faz na prática.

Agora um mini tutorial do Zoom

Primeira coisa é descobrir onde vc instalou o Zoom e abrir o programa
Agora vá ao Settings, ou configurações, aquele botão em formato de engrenagem no canto superior esquerdo. Nele, clique na aba Audio, no menu da esquerda. As outras abas têm opções que depois você pode fuçar pra ver se gosta de algo.

Aqui é importante perceber que cada computador vai ter informações diferente nos campos 1 e 3, não procure copiar o meu.
1 - Nome da sua saída de áudio, ou seja, seu alto falante, caixa de som, fone, interface de áudio, etc. Provavelmente já estará correto, e isso vc descobre clicando no botão da casa 2
2 - Teste de saída de áudio. Se você apertar esse botão e não tocar musiquinha volte na caixa 1 e selecione outra opção das que o programa te oferecer
3 - Nome da entrada de áudio, ou seja, seu microfone ou interface de áudio
4 - Apertando aqui ele começa a gravar seu microfone por alguns segundos e depois toca a gravação automaticamente. É só apertar e falar qualquer coisa para o programa conferir se o som está sendo captado corretamente. Caso não ouça nada depois da gravação, volte na caixa 3 e mude a opção
5 - Deixe essa caixa desmarcada, isso acaba com muitas aulas de canto. Quando o ajuste automático de volume está marcado o programa detecta qualquer som contínuo como ruído e abaixa o volume da entrada de áudio para deixar a conversa agradável... Existe aula de canto sem som contínuo? Não, então deixe esse campo desmarcado!!!

O mesmo procedimento deve ser feito na aba Video do menu à esquerda, na qual você deve conferir se sua entrada de video está correta. Se a câmera ligar e você se ver saberá que está funcionando, se não, mude a opção da mesma forma como descrito nos números 1 e 3 acima.

Agora, veja a tela abaixo, o que acontece quando você tem uma fonte de luz forte atrás de você.
Exatamente, não dá pra ver nada. O ideal é ter uma fonte de luz frontal indireta, ou seja, uma luz virada pra frente, que bata na parede ou em outra superfície e que o reflexo da luz nessa superfície te ilumine. Luz direta no seu rosto pode causar o oposto e te deixar todo branco, mas se for a única opção, é mehor que nada.

1 - Esse botão deve aparecer igual o da imagem, se não vai desligar seu áudio
2 - botão para compartilhar sua tela, muito útil para mostrar vídeos de suas apresentações para o professor, anotações de estudo num Word da vida e indispensável em consultorias de softwares como as que faço com o programa de feedback em tempo real Voce Vista Video
3 - Botão de gravar, aperte esse botão e você irá gravar a aula para estudar nos outros dias. Essencial!!

Pronto, você já sabe o que precisa para ter/dar aulas online com o Zoom.

Aproveite

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Pressão, fluxo de ar e apoio


Eis um tema cheio de mal-entendidos e confusão e que faz toda a diferença quando a gente entende com clareza.

Qual é a diferença entre pressão de ar e fluxo de ar? Onde entra o apoio nisso tudo? Tem a ver com o diafragma?

Falou em pressão falou de algo físico, uma força perpendicular, ou seja, algo está empurrando. Você faz pressão para pregar um prego na parede.
Fluxo já é outra história, fluxo é aquilo que passa, que transborda, que flui.

No canto isso quer dizer que pressão de ar é a força com que o esse sai dos pulmões e chega nas pregas vocais (coitadinhas) e o fluxo de ar é a quantidade de ar que a gente deixa passar pelas pregas vocais para virar som. Sim que a gente deixa (cérebro wins!!)

Imagine uma caixa d’água. A água que desce vem com uma pressão e desce pelo cano, certo? OK, nossas pregas vocais nesse caso são a torneira que está nesse cano. Responda rapidamente sem consultar um encanador. Quem controla o quanto de água sai no exemplo acima, a caixa d’água ou a torneira?
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Exato a torneira. É nela que está o registro que você gira para permitir ou não a passagem de água.

E com a voz é a mesma coisa. Água e ar funcionam de formas muito parecidas. Quem controla o fluxo de ar são as queridonas das pregas vocais. E daí?
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Sua voz já passou por isso?

E daí que quando o cantor ouve coisas do tipo “você tem que manter o sopro”, “você tem que cantar sobre o ar”, “você tem que deixar a voz fluir” ele não pode pensar de jeito nenhum que isso vai se resolver com apoio, suporte, respiração ou fé.

Pra gente conseguir manter a voz homogênea ao longo da extensão (quando isso for desejado) o que nós temos que aprender a sentir é o quanto de resistência das pregas vocais estamos aplicando no ar que sobe, ou seja, o quanto a gente tem de contato glótico. Lembra dos MODOS DE FONAÇÂO? (Se não lembra, clique aqui veja JÁ).

Se a voz não está “fluindo” ou não está deixando o “sopro livre” provavelmente a gente quer menos resistência nesse mecanismo nessa hora.

E se a gente pensar que tem que mandar mais ar ao invés de “abrir a torneira”? Bom, mandando mais ar a gente aumenta a pressão e como nosso corpo reage a isso? Fechando a torneira. Sim, você entendeu o drama. Ao mandar mais energia, mais força, mais amor e mais pegada o risco maior é o de bloquear o sistema todo e gerar um sobre-esforço violento, daí surgem as quebras, limitações de extensão e tudo mais.
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Aqui o dedo faz o papel de resistência pra pressão de água
Se você quiser ser super nerd da voz (aconselho), pense que o fluxo transglótico (aquele que atravessa a glote) é o resultado interação entre pressão subglótica (força que o ar vem) e a resistência glótica (o quanto as pregas vocais estarão em contato).

Então lembre-se, pressão e fluxo são coisas diferentes, que conversam mas interagem de formas diferentes de acordo com o tipo de canto que está sendo produzido. Saber entender os dois é vital para uma técnica precisa.

domingo, 10 de junho de 2018

Refluxo laringofaringeo, o que você não pode deixar de saber.

Olá amigos, hoje temos aqui um assunto que interessa demais a todos os cantores, o tal do refluxo...

Mas para falar sobre doença, nada melhor que alguém da medicina, e pra essa função eu convidei a super Dra. Marcia Murao, otorrino que adora trabalhar e pesquisar com cantores e que faz parta da família da Maratona Vocal.

Vamos ao texto que ela preparou, aproveitem!!
Eu com a Dra. Marcia Murao durante o 1º Simpósio do Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo, onde tive o prazer de ser convidado para palestrar sobre as distorções vocais no canto
Dra Marcia Murao
Otorrinolaringologista
CRM 80193
RQE 35299
Doutora em Otorrinlaringologia pela FMUSP
Professora da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Taubaté- SP

1- O que é refluxo laringofaringeo?
Você já deve ter tido azia pelo menos uma vez na vida, certo? Então você teve refluxo. É que, às vezes, esse conteúdo ácido, consegue atingir a via respiratória alta, e consequentemente, a laringe. Nesse caso, você pode ter a sensação de que tem algo parado na garganta, rouquidão, tosse seca, pigarro, engasgos repentinos, dificuldade de engolir alimentos, asma de difícil controle, azia ou má digestão.

2- Doença epidêmica

Por que hoje em dia é tão comum você sair de um consultório médico com diagnóstico de refluxo? Desde a década de 70, a doença se tornou epidêmica, principalmente em jovens entre 20 e 30 anos de idade. Segundo o autor El-Serag (2007), a prevalência de doenças do refluxo (Refluxo gastroesofágico-GERD e laringofaringeo) aumentou 4% a cada ano desde 1976.

Fonte:El-Serag HB, Sweet S, Winchester CC, Dent J. Update on the epidemiology of gastro-oesophageal reflux disease: a systematic review. Gut. 2014 June

Durante esse período, a incidência do adenocarcinoma de esôfago aumentou 850%, e a maioria dos tratamentos, infelizmente, foi sem eficácia!

3- O que ocorre na laringe? Cantores, isso é muito importante para vocês!

Estima-se que o refluxo laringofaringeo esteja presente em mais de 50% dos pacientes com disfonia!
As barreiras fisiológicas ao refluxo incluem o esfíncter inferior do esôfago, o clearance esofágico influenciado pelo peristaltismo esofágico (movimento de descida para levar o alimento para baixo, claro), a saliva, a gravidade e o esfíncter superior do esôfago. Quando essas barreiras falham, o conteúdo do estômago entra em contato com a mucosa laringofaringea, causando danos ao epitélio, como disfunção ciliar, inflamação e alteração da sensibilidade.


O pH da faringe é neutro (pH 7), enquanto os ácidos do estômago variam em pH de 1,5 a 2. O dano à faringe é o resultado de um declínio no pH e exposição a componentes de refluxo, como pepsina, sais biliares e enzimas pancreáticas. No esôfago, 50 episódios de refluxo por dia são considerados normais, enquanto na laringe três episódios já podem causar danos. No entanto, o efeito dos ácidos na laringe não está definido e alguns estudos sugerem que a combinação de ácido e pepsina (não ácido, mas ativada por ele) é necessária para causar lesão. Resumindo, o conteúdo que volta do estômago, tem componentes ácidos e não ácidos (pepsina) e ambos podem causar lesão na laringe (pepsina é ativada por ácido!). A injúria pela pepsina, está bem comprovada pela biologia celular. Estudos mostraram que a pepsina permanece dentro das células da mucosa laringea por pelo menos 12h e, portanto, pode ser “reativada” através de outro refluxo ou ingestão de alimentos ácidos! Aí começa o problema! Se você tomar inibidores da produção de ácidos (omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, etc) resolverá o problema? Não! Vc diminuirá a acidez, mas e a pepsina que vem do refluxo não ácido, permanece na célula por no mínimo 12h e ainda pode ser reativada por dieta ácida. E como você acha que dá para digerir alimentos com pouco ou nenhum ácido? A resposta é simples, não dá. Confuso não!

4- Diagnóstico
Os sintomas do refluxo laringofaringeo são inespecíficos e comuns em outras doenças! Ainda não se tem um exame “padrão ouro” para diagnosticá-lo. Aí entra a experiência do médico otorrinolaringologista, caso contrário, todos sairão com uma receita de inibidor de ácidos e pior, sem melhora e com efeitos colaterais da droga a longo prazo, incluindo demência!
Para você ter uma ideia da complexidade do diagnóstico, alterações compatíveis com refluxo no exame da videolaringoscopia de pacientes com sintomas, estão presentes em 86% dos pacientes controle, ou seja, que não têm sintomas!
Um terço dos pacientes com disfonia e sintomas de refluxo, na verdade têm disfonia por tensão muscular.
Pacientes com atrofia de prega vocal e com refluxo, apresentam o mesmo sintoma: pigarro.
Carroll et al in process, observou que 69% dos pacientes sem disfonia, mas com queixa sutil compatível com refluxo, tinham na verdade, patologia das pregas vocais. Por esse motivo a videoestrobolaringoscopia, está justificada em pacientes SEM disfonia, mas com sintomas de refluxo e nos casos em que, apesar do tratamento para refluxo, os pacientes não apresentaram melhora.

5- E dieta???
Jamie Kaufman estuda refluxo laringofaringeo há mais de 30 anos! Atualmente, fala muito sobre dieta alcalina para inativar a pepsina na mucosa laringea e assim, interromper o ciclo vicioso. Na minha opinião é a solução! Com a modernidade, vieram alimentos industrializados, que para durar mais, precisam ser ácidos e ácidos foram adicionados! A acidez conserva, pois inibe a proliferação bacteriana e preserva a cor dos alimentos (antioxidante). Já teve a curiosidade de ler os rótulos dos produtos que você ingere?
Apesar de médica, sempre fui contra a prescrição desmedida de remédios (claro que em algumas situações, ele salva vidas!). Um artigo dinamarquês muito interessante de Jensen et al, 2014 chegou a seguinte conclusão:

“Não foram observados efeitos protetores dos inibidores da bomba de protons (IBP) em relação ao câncer de esôfago. De fato, a alta aderência e o uso prolongado de IBPs foram associados a um aumento significativo do risco de câncer ”. Em outras palavras, Kaufman afirma que os IBPs NÃO são o tratamento primário para a doença do refluxo e não previnem o câncer de esôfago. Os IBPs não param a progressão da doença. Nada substitui modificações dietéticas e de estilo de vida.

Referências:
AAO-HNSF Annual Meeting & OTO Experience, Chicago 2017, presencial.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Workshop de Pedagogia e Ciência Vocal

Depois de anos escrevendo sobre ciência da voz cantada, exercícios, técnicas e pedagogia vocal em geral, e após muitas solicitações de criar um curso onde pudesse demonstrar tudo na prática, e ensinar de forma direta como aplicar esse conteúdo, surgiu a oportunidade com a parceria com meu amigo e colega, professor de canto Michael Álex.

O Workshop de Ciência e Pedagogia Vocal será uma oportunidade única de reunir todo o conhecimento e experiência que nós dois obtivemos ao longo dos anos de treinos e estudos e colocar na prática os conceitos mais atuais das ciências que estudam a voz, seja na parte de anatomia, fisiolgia, acústica vocal, neurologia, etc. 

O grande diferencial deste evento será a forma de traduzir todos os conceitos em atividades práticas e direcionadas à evolução dos cantores.
Além dos temas básicos de respiração, ressonâncias, registros, modos de fonação, postura, etc, vamos unir nossas experiências em diferentes gêneros musicais para abordar distorções vocais, melismas, vibratos, etc. E tudo poderá ser trabalhado utilizando o suporte de tecnologias como softwares de acústica em tempo real, tubos, canudos, máscaras, etc.

Não perca essa oportunidade única de unir teoria e prática em 2 dias de muita troca de experiências e foco em como trabalhar e desenvolver as vozes dos cantores, seja para você ou para seua alunos ou clientes.

O curso é focado em cantores, professores de canto, preparadores vocais e fonoaudiólogos, e quem se inscrever até o final de maio terá um belo desconto.

Inscrições no e-mail pedagogiaecienciavocal@gmail.com

Nos vemos por lá!!!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A voz não é invisível

Workshop de tecnologias aplicadas ao canto, que ensina cantores, fonoaudiólogos e professores a utilizarem programas de análise acústica em tempo real para que aulas, treinos e clínica tenham resposta prática e visual.

Ver a Voz nasceu do interesse dos professores de canto que necessitam de ferramentas objetivas demonstrarem aos alunos seu desenvolvimento de maneira concreta e foi pensado a partir da prática e experiência do professor e pesquisador Mauro Andrea sobre o tema e de como essas tecnologias são aproveitadas por preparadores vocais de ponta no mundo todo.

Com a divulgação do curso, surgiu o interesse de fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e pesquisadores de voz cantada em participar, e o Ver a Voz foi direcionado também para esses profissionais, com informação útil na habilitação ou pesquisa de canto.

Hoje em dia são raros os cantores que têm um acompanhamento diário de seus treinos, e ter um feedback visual possibilita que sejam mais objetivos e claros, com resultados visiveis na tela em tempo real, facilitando a vida tanto de cantores que estudam sozinhos quanto os que fazem aulas poucas vezes por semana ou por mês.

As práticas descritas no curso são aplicáveis a todos os tipos de canto, gêneros e técnicas musicais. 

Assuntos como: afinação, controle de passagem e de registros, controle de ressonância, pressão subglótica (apoio), precisão de ataques vocais, fraseado, legato e sustentação de sons, vibrato, articulação de vogais e até mesmo distorções vocais são facilmente trabalhadas com precisão com essas ferramentas.
Outras possibilidades de uso são comparações entre vozes, comparação pré e pós intervenção, análise de fonte glótica e filtro/ressonância e muito mais. 

São inúmeras as possibilidades de uso dessas tecnologias e saber interpretá-las é essencial. 

Durante o Ver a Voz serão explicados de forma prática e acessível conceitos importantes de acústica vocal como harmônicos e formantes, base teórica para a utilização dos softwares, e como utilizá-los na prática voltada ao estudo e ensino de canto. 

Além do programa do curso, propostas dos participantes serão discutidas para que possam aprender e tirar o máximo proveito.

Programas gratuitos (MADDE, Wavesurfer, Sopran, RTSect e PRAAT) e pagos (Voce Vista 3 e Voce Vista Video) são demonstrados em situações reais de aula e treino de canto aplicadas para auxiliar a fácil compreensão de todos os presentes.

Todos os participantes recebem o material do curso e um desconto exclusivo (50%) no programa Voce Vista Video, oferecido por seus desenvolvedores na Alemanha.
Com Svante Granqvist, desenvolvedor dos programas Sopran, MADDE, RTSect, DeCap e muitos outros

A primeira edição aconteceu em São Paulo e teve lotação máxima e a participação de alguns dos maiores cantores, professores de canto, fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas do Brasil.









Em 7 de abril tivemos a primeira edição em Belo Horizonte/MG, com organização da fonoaudióloga Juscelina Kubitscheck da Innovare.

Foi um curso completo de um dia inteiro com muitas práticas de como aplicar os conceitos das acústica vocal na voz cantada. 

Foi incrível ter a participação de fonos, professores de canto e do fantástico  cantor Leny Jay, cover de Michael Jackson, que teve pela primeira vez sua voz analisada nos mínimos detalhes. Com o auxílio das ferramentas apresentadas no curso deixar sua voz ficou ainda mais fiel ao do MJ. 



A segunda edição em São Paulo acontecerá no CEV - Centro de Estudos da Voz no dia 21/04. Solicite a ficha de inscrição no e-mail: cevfono@cevbr.com.br

E em julho será a vez do Rio de Janeiro receber o curso, no dia 14.

Teremos muita prática e apresentação de outras tecnologias utilizadas em cantores em treino, clínica e pesquisa.

E muitas outras novidades vem por aí.