segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Aulas de canto online - ZOOM



Já falei bastante de aulas de canto pela internet or aqui, mas agora gostaria de fazer uma atualização:

Skype já era!!!

Pois é, já a algum tempo depois de anos lidando com o pesado e limitado Skype aderi ao programa que muitos recomendam nos EUA, o Zoom.

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Vamos falar das vantagens:
- O programa é mais leve, consequentemente seu computador é menos sobrecarregado e a transmissão da aula é melhor
- A primeira vantagem já seria suficiente, mas tem outra ótima, no Zoom você tem um botão pra gravar direto na tela. No Skype você precisava usar um programa esterno, que muitas vezes falhava e/ou era pago. No Zoom não, é só dar o REC e assistir depois. Gravar em vídeo é uma super vantagem até sobre as aulas presenciais.

Tem desvantagens?
- Na primeira vez que você abre o Zoom você tem que configurar as entradas e saídas de áudio, pra isso, é só ir no settings e fazer os testes que ele dá automaticamente, é bem simples e não chega a ser um problema, mas foi a única desvantagem que achei

Pra quem não conhece, vale baixar no www.zoom.us
Se você faz aula, fale pro seu professor experimentar, se você dá aula online, não perca tempo e mude já.

Se quiser fazer aulas online comigo é só entrar em contato pelo e-mail: mauro.bf@gmail.com

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Pressão, fluxo de ar e apoio


Eis um tema cheio de mal-entendidos e confusão e que faz toda a diferença quando a gente entende com clareza.

Qual é a diferença entre pressão de ar e fluxo de ar? Onde entra o apoio nisso tudo? Tem a ver com o diafragma?

Falou em pressão falou de algo físico, uma força perpendicular, ou seja, algo está empurrando. Você faz pressão para pregar um prego na parede.
Fluxo já é outra história, fluxo é aquilo que passa, que transborda, que flui.

No canto isso quer dizer que pressão de ar é a força com que o esse sai dos pulmões e chega nas pregas vocais (coitadinhas) e o fluxo de ar é a quantidade de ar que a gente deixa passar pelas pregas vocais para virar som. Sim que a gente deixa (cérebro wins!!)

Imagine uma caixa d’água. A água que desce vem com uma pressão e desce pelo cano, certo? OK, nossas pregas vocais nesse caso são a torneira que está nesse cano. Responda rapidamente sem consultar um encanador. Quem controla o quanto de água sai no exemplo acima, a caixa d’água ou a torneira?
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Exato a torneira. É nela que está o registro que você gira para permitir ou não a passagem de água.

E com a voz é a mesma coisa. Água e ar funcionam de formas muito parecidas. Quem controla o fluxo de ar são as queridonas das pregas vocais. E daí?
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Sua voz já passou por isso?

E daí que quando o cantor ouve coisas do tipo “você tem que manter o sopro”, “você tem que cantar sobre o ar”, “você tem que deixar a voz fluir” ele não pode pensar de jeito nenhum que isso vai se resolver com apoio, suporte, respiração ou fé.

Pra gente conseguir manter a voz homogênea ao longo da extensão (quando isso for desejado) o que nós temos que aprender a sentir é o quanto de resistência das pregas vocais estamos aplicando no ar que sobe, ou seja, o quanto a gente tem de contato glótico. Lembra dos MODOS DE FONAÇÂO? (Se não lembra, clique aqui veja JÁ).

Se a voz não está “fluindo” ou não está deixando o “sopro livre” provavelmente a gente quer menos resistência nesse mecanismo nessa hora.

E se a gente pensar que tem que mandar mais ar ao invés de “abrir a torneira”? Bom, mandando mais ar a gente aumenta a pressão e como nosso corpo reage a isso? Fechando a torneira. Sim, você entendeu o drama. Ao mandar mais energia, mais força, mais amor e mais pegada o risco maior é o de bloquear o sistema todo e gerar um sobre-esforço violento, daí surgem as quebras, limitações de extensão e tudo mais.
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Aqui o dedo faz o papel de resistência pra pressão de água
Se você quiser ser super nerd da voz (aconselho), pense que o fluxo transglótico (aquele que atravessa a glote) é o resultado interação entre pressão subglótica (força que o ar vem) e a resistência glótica (o quanto as pregas vocais estarão em contato).

Então lembre-se, pressão e fluxo são coisas diferentes, que conversam mas interagem de formas diferentes de acordo com o tipo de canto que está sendo produzido. Saber entender os dois é vital para uma técnica precisa.

domingo, 10 de junho de 2018

Refluxo laringofaringeo, o que você não pode deixar de saber.

Olá amigos, hoje temos aqui um assunto que interessa demais a todos os cantores, o tal do refluxo...

Mas para falar sobre doença, nada melhor que alguém da medicina, e pra essa função eu convidei a super Dra. Marcia Murao, otorrino que adora trabalhar e pesquisar com cantores e que faz parta da família da Maratona Vocal.

Vamos ao texto que ela preparou, aproveitem!!
Eu com a Dra. Marcia Murao durante o 1º Simpósio do Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo, onde tive o prazer de ser convidado para palestrar sobre as distorções vocais no canto
Dra Marcia Murao
Otorrinolaringologista
CRM 80193
RQE 35299
Doutora em Otorrinlaringologia pela FMUSP
Professora da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Taubaté- SP

1- O que é refluxo laringofaringeo?
Você já deve ter tido azia pelo menos uma vez na vida, certo? Então você teve refluxo. É que, às vezes, esse conteúdo ácido, consegue atingir a via respiratória alta, e consequentemente, a laringe. Nesse caso, você pode ter a sensação de que tem algo parado na garganta, rouquidão, tosse seca, pigarro, engasgos repentinos, dificuldade de engolir alimentos, asma de difícil controle, azia ou má digestão.

2- Doença epidêmica

Por que hoje em dia é tão comum você sair de um consultório médico com diagnóstico de refluxo? Desde a década de 70, a doença se tornou epidêmica, principalmente em jovens entre 20 e 30 anos de idade. Segundo o autor El-Serag (2007), a prevalência de doenças do refluxo (Refluxo gastroesofágico-GERD e laringofaringeo) aumentou 4% a cada ano desde 1976.

Fonte:El-Serag HB, Sweet S, Winchester CC, Dent J. Update on the epidemiology of gastro-oesophageal reflux disease: a systematic review. Gut. 2014 June

Durante esse período, a incidência do adenocarcinoma de esôfago aumentou 850%, e a maioria dos tratamentos, infelizmente, foi sem eficácia!

3- O que ocorre na laringe? Cantores, isso é muito importante para vocês!

Estima-se que o refluxo laringofaringeo esteja presente em mais de 50% dos pacientes com disfonia!
As barreiras fisiológicas ao refluxo incluem o esfíncter inferior do esôfago, o clearance esofágico influenciado pelo peristaltismo esofágico (movimento de descida para levar o alimento para baixo, claro), a saliva, a gravidade e o esfíncter superior do esôfago. Quando essas barreiras falham, o conteúdo do estômago entra em contato com a mucosa laringofaringea, causando danos ao epitélio, como disfunção ciliar, inflamação e alteração da sensibilidade.


O pH da faringe é neutro (pH 7), enquanto os ácidos do estômago variam em pH de 1,5 a 2. O dano à faringe é o resultado de um declínio no pH e exposição a componentes de refluxo, como pepsina, sais biliares e enzimas pancreáticas. No esôfago, 50 episódios de refluxo por dia são considerados normais, enquanto na laringe três episódios já podem causar danos. No entanto, o efeito dos ácidos na laringe não está definido e alguns estudos sugerem que a combinação de ácido e pepsina (não ácido, mas ativada por ele) é necessária para causar lesão. Resumindo, o conteúdo que volta do estômago, tem componentes ácidos e não ácidos (pepsina) e ambos podem causar lesão na laringe (pepsina é ativada por ácido!). A injúria pela pepsina, está bem comprovada pela biologia celular. Estudos mostraram que a pepsina permanece dentro das células da mucosa laringea por pelo menos 12h e, portanto, pode ser “reativada” através de outro refluxo ou ingestão de alimentos ácidos! Aí começa o problema! Se você tomar inibidores da produção de ácidos (omeprazol, esomeprazol, pantoprazol, etc) resolverá o problema? Não! Vc diminuirá a acidez, mas e a pepsina que vem do refluxo não ácido, permanece na célula por no mínimo 12h e ainda pode ser reativada por dieta ácida. E como você acha que dá para digerir alimentos com pouco ou nenhum ácido? A resposta é simples, não dá. Confuso não!

4- Diagnóstico
Os sintomas do refluxo laringofaringeo são inespecíficos e comuns em outras doenças! Ainda não se tem um exame “padrão ouro” para diagnosticá-lo. Aí entra a experiência do médico otorrinolaringologista, caso contrário, todos sairão com uma receita de inibidor de ácidos e pior, sem melhora e com efeitos colaterais da droga a longo prazo, incluindo demência!
Para você ter uma ideia da complexidade do diagnóstico, alterações compatíveis com refluxo no exame da videolaringoscopia de pacientes com sintomas, estão presentes em 86% dos pacientes controle, ou seja, que não têm sintomas!
Um terço dos pacientes com disfonia e sintomas de refluxo, na verdade têm disfonia por tensão muscular.
Pacientes com atrofia de prega vocal e com refluxo, apresentam o mesmo sintoma: pigarro.
Carroll et al in process, observou que 69% dos pacientes sem disfonia, mas com queixa sutil compatível com refluxo, tinham na verdade, patologia das pregas vocais. Por esse motivo a videoestrobolaringoscopia, está justificada em pacientes SEM disfonia, mas com sintomas de refluxo e nos casos em que, apesar do tratamento para refluxo, os pacientes não apresentaram melhora.

5- E dieta???
Jamie Kaufman estuda refluxo laringofaringeo há mais de 30 anos! Atualmente, fala muito sobre dieta alcalina para inativar a pepsina na mucosa laringea e assim, interromper o ciclo vicioso. Na minha opinião é a solução! Com a modernidade, vieram alimentos industrializados, que para durar mais, precisam ser ácidos e ácidos foram adicionados! A acidez conserva, pois inibe a proliferação bacteriana e preserva a cor dos alimentos (antioxidante). Já teve a curiosidade de ler os rótulos dos produtos que você ingere?
Apesar de médica, sempre fui contra a prescrição desmedida de remédios (claro que em algumas situações, ele salva vidas!). Um artigo dinamarquês muito interessante de Jensen et al, 2014 chegou a seguinte conclusão:

“Não foram observados efeitos protetores dos inibidores da bomba de protons (IBP) em relação ao câncer de esôfago. De fato, a alta aderência e o uso prolongado de IBPs foram associados a um aumento significativo do risco de câncer ”. Em outras palavras, Kaufman afirma que os IBPs NÃO são o tratamento primário para a doença do refluxo e não previnem o câncer de esôfago. Os IBPs não param a progressão da doença. Nada substitui modificações dietéticas e de estilo de vida.

Referências:
AAO-HNSF Annual Meeting & OTO Experience, Chicago 2017, presencial.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Workshop de Pedagogia e Ciência Vocal

Depois de anos escrevendo sobre ciência da voz cantada, exercícios, técnicas e pedagogia vocal em geral, e após muitas solicitações de criar um curso onde pudesse demonstrar tudo na prática, e ensinar de forma direta como aplicar esse conteúdo, surgiu a oportunidade com a parceria com meu amigo e colega, professor de canto Michael Álex.

O Workshop de Ciência e Pedagogia Vocal será uma oportunidade única de reunir todo o conhecimento e experiência que nós dois obtivemos ao longo dos anos de treinos e estudos e colocar na prática os conceitos mais atuais das ciências que estudam a voz, seja na parte de anatomia, fisiolgia, acústica vocal, neurologia, etc. 

O grande diferencial deste evento será a forma de traduzir todos os conceitos em atividades práticas e direcionadas à evolução dos cantores.
Além dos temas básicos de respiração, ressonâncias, registros, modos de fonação, postura, etc, vamos unir nossas experiências em diferentes gêneros musicais para abordar distorções vocais, melismas, vibratos, etc. E tudo poderá ser trabalhado utilizando o suporte de tecnologias como softwares de acústica em tempo real, tubos, canudos, máscaras, etc.

Não perca essa oportunidade única de unir teoria e prática em 2 dias de muita troca de experiências e foco em como trabalhar e desenvolver as vozes dos cantores, seja para você ou para seua alunos ou clientes.

O curso é focado em cantores, professores de canto, preparadores vocais e fonoaudiólogos, e quem se inscrever até o final de maio terá um belo desconto.

Inscrições no e-mail pedagogiaecienciavocal@gmail.com

Nos vemos por lá!!!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A voz não é invisível

Workshop de tecnologias aplicadas ao canto, que ensina cantores, fonoaudiólogos e professores a utilizarem programas de análise acústica em tempo real para que aulas, treinos e clínica tenham resposta prática e visual.

Ver a Voz nasceu do interesse dos professores de canto que necessitam de ferramentas objetivas demonstrarem aos alunos seu desenvolvimento de maneira concreta e foi pensado a partir da prática e experiência do professor e pesquisador Mauro Andrea sobre o tema e de como essas tecnologias são aproveitadas por preparadores vocais de ponta no mundo todo.

Com a divulgação do curso, surgiu o interesse de fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e pesquisadores de voz cantada em participar, e o Ver a Voz foi direcionado também para esses profissionais, com informação útil na habilitação ou pesquisa de canto.

Hoje em dia são raros os cantores que têm um acompanhamento diário de seus treinos, e ter um feedback visual possibilita que sejam mais objetivos e claros, com resultados visiveis na tela em tempo real, facilitando a vida tanto de cantores que estudam sozinhos quanto os que fazem aulas poucas vezes por semana ou por mês.

As práticas descritas no curso são aplicáveis a todos os tipos de canto, gêneros e técnicas musicais. 

Assuntos como: afinação, controle de passagem e de registros, controle de ressonância, pressão subglótica (apoio), precisão de ataques vocais, fraseado, legato e sustentação de sons, vibrato, articulação de vogais e até mesmo distorções vocais são facilmente trabalhadas com precisão com essas ferramentas.
Outras possibilidades de uso são comparações entre vozes, comparação pré e pós intervenção, análise de fonte glótica e filtro/ressonância e muito mais. 

São inúmeras as possibilidades de uso dessas tecnologias e saber interpretá-las é essencial. 

Durante o Ver a Voz serão explicados de forma prática e acessível conceitos importantes de acústica vocal como harmônicos e formantes, base teórica para a utilização dos softwares, e como utilizá-los na prática voltada ao estudo e ensino de canto. 

Além do programa do curso, propostas dos participantes serão discutidas para que possam aprender e tirar o máximo proveito.

Programas gratuitos (MADDE, Wavesurfer, Sopran, RTSect e PRAAT) e pagos (Voce Vista 3 e Voce Vista Video) são demonstrados em situações reais de aula e treino de canto aplicadas para auxiliar a fácil compreensão de todos os presentes.

Todos os participantes recebem o material do curso e um desconto exclusivo (50%) no programa Voce Vista Video, oferecido por seus desenvolvedores na Alemanha.
Com Svante Granqvist, desenvolvedor dos programas Sopran, MADDE, RTSect, DeCap e muitos outros

A primeira edição aconteceu em São Paulo e teve lotação máxima e a participação de alguns dos maiores cantores, professores de canto, fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas do Brasil.









Em 7 de abril tivemos a primeira edição em Belo Horizonte/MG, com organização da fonoaudióloga Juscelina Kubitscheck da Innovare.

Foi um curso completo de um dia inteiro com muitas práticas de como aplicar os conceitos das acústica vocal na voz cantada. 

Foi incrível ter a participação de fonos, professores de canto e do fantástico  cantor Leny Jay, cover de Michael Jackson, que teve pela primeira vez sua voz analisada nos mínimos detalhes. Com o auxílio das ferramentas apresentadas no curso deixar sua voz ficou ainda mais fiel ao do MJ. 



A segunda edição em São Paulo acontecerá no CEV - Centro de Estudos da Voz no dia 21/04. Solicite a ficha de inscrição no e-mail: cevfono@cevbr.com.br

E em julho será a vez do Rio de Janeiro receber o curso, no dia 14.

Teremos muita prática e apresentação de outras tecnologias utilizadas em cantores em treino, clínica e pesquisa.

E muitas outras novidades vem por aí.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A tecnologia no auxílio do canto

Quando falamos em utilizar recursos tecnológicos muitas pessoas mais tradicionalistas torcem o nariz, dizem que nunca foi preciso nada disso e esse tipo de coisa. Esquecem que a partitura já foi uma inovação, o piano já foi uma inovação, exames de voz foram e para alguns ainda são uma inovação.

Bom, o mundo girou e hoje as pessoas não saem de casa sem smartphones e vivem rodeadas de infinitas quinquilharias que tornam o dia a dia mais prático (óbvio que muita coisa inútil é usada apenas por consumismo, mas esse assunto fica pro boteco).

Na voz o cenário não é diferente, hoje em dia é comum ver fonoaudiólogos aplicando bandagens, laser, eletroestimulação, cada um desses com seus estudos, utilidades e métodos específicos de utilização, como tipos de corrente elétrica, posicionamento das bandagens nos músculos, etc. Teoricamente, eles sabem o que estão fazendo, conheço profissionais muito sérios que gostam e que não gostam, cada um tem seu estilo. Importante frizar que existem cursos e certificações para cada uma dessas atividades.

Mas o foco aqui é canto, e podemos dividir essa tecnologia em coisas mais simples e físicas e softwares de computador, que vou tentar listar:

Tubos de ressonância: tubos de vidro, de silicone, canudos, com água, sem água, com espessante, etc. Infinitas possibilidades e usos dos mais variados. Vou colocar aqui nessa categoria copos e demais aparelhos para o treino de trato vocal semi ocluído, que já mencionei AQUI

Cachimbo de bola: também é um ETVSO, mas vem com uma ferramenta visual para verificação do fluxo de ar, eu adoro.

Prancha de equilíbrio e/ou trampolim: para estimular a utilização da musculatura que sustenta o corpo e participa do controle respiratório. Nunca usei no meu estúdio, mas minhas amigas Thays Vaiano e Flávia Badaró do Atletas da Voz e da Maratona Vocal indicam o trampolim e têm bastante sucesso.
Máscara de retorno ou ressonância: Como os hearfones, utilizadas para que o cantor ouça com fidelidade e precisão o que estão executando. Herança de cantar com um balde na frente, cantar no canto da sala, cantar com as mãos em concha nos ouvidos, etc. Nada de novidade, porém mais prático. 
Nebulizador: Não é exatamente para o canto, mas se você é cantor, tenha um, hidratação na hora. Atenção, use apenas e somente e nada mais, soro fisiológico. Prefira soro à água e jamais adicione remédio sem orientação médica, você pode arruinar sua voz. É sério...

Medidor de pressão subglótica: Aqui uma engenhoca que parece saída do filme dos caça fantasmas, mas que indica o quanto de “força aérea” você está mandando paras as suas pregas vocais. É ótimo, simples de utilizar, mas muito caro para a nossa realidade tupiniquim, cerca de 700 dólares.
EGG: O aparelho de eletroglotografia mede o nível de contato das suas pregas vocais, grande indicador de tensão ou de modos de fonação. É preciso um bom nível de conhecimento para entender os dados e também fere o bolso (750 doletas).
Máscara de glotograma de fluxo: Aqui algo incrível para medir com precisão os modos de fonação que o cantor está utilizando. Outro aparelho que exige muito conhecimento e zeros disponíveis.

Esses três últimos instrumentos tive contato no curso Ciência da Voz Cantada na Suécia mas não os possuo, infelizmente.
Com o Professor Sundberg e a máscara
Softwares: Aqui vou dividir em duas categorias, os gratuitos e os pagos.

Grátis: Programas como o MADDE,  um sintetizador de voz, o spectrum RTSect, o espectrograma Wavesurfer e o Sopran são ótimos para mostrar aos alunos em tempo real como está a afinação, a ressonância, indicam até mesmo se há muito ou pouco contato nas pregas vocais através da relação entre os primeiros harmônicos, você pode verificar os formantes, ataques, fluxo de ar, intensidade da voz, quebras de registro, analisar vibrato, etc. São fantásticos e acho que todo professor de canto e cantor tem muito a ganhar aprendendo a utilizá-los, e nem são tão difíceis. Entendendo o conceito a prática é simples, só bater o olho e ver a voz. É possível até diferenciar tipos de distorções vocais. Que tal, hein?
Minha versão sintética no MADDE depois de ter a voz "revelada" na filtragem inversa. 

Pagos: Programas como o Voce Vista 3 e o Voce Vista Video reúnem todas as possibilidades dos gratuitos e, no caso do Video, vão muito além. Fazer trabalho de ajuste de ressonância (formant tunning) com ele é a coisa mais fácil que existe. Sabe quando você ouve uma voz ou efeito e quer tentar cantar igual? (Alô cantor de cover) Com esses programas isso fica muuuuuito mais fácil, pois você consegue ver a voz que quer fazer e checar se a sua está de acordo. Imagine você, professor, que passa um exemplo e o aluno não pega de ouvido. Que tal se ele puder olhar qual a diferença?

Além do professor de canto, isso é muito útil para o cantor que treina sozinho (ou seja, todo mundo que não faz aula de canto 7 vezes por semana), pois ele pode contar com uma forma prática de feedback, que é a função principal de um bom professor, saber indicar quando a coisa está boa e quando não está. Claro que o programa não diz o que fazer para corrigir, mas se você tiver conhecimento suficiente, vai entender os indícios que ele dá.
Se você puder comprar o Voce Vista Video, compre, não vai se arrepender. O idealizador é um alemão extremamente simpático que teve a ideia para treinar overtone singing, e ele é gênio nisso.

Lógico que todos esses treinos são possíveis sem esses aparelhos, mas a ideia aqui não é substituir o profissional e sim auxiliá-lo. Recursos visuais facilitam muito a compreensão e aprendizado, quem já utilizou da forma correta sabe o ganho que isso implica e como o aprimoramento fica mais rápido e o treino mais eficiente.

Lógico também que muita coisa é inventada apenas para vender e ganhar dinheiro e muita tranqueira acaba depois se mostrando pouco útil ou complicando mais a situação, mas essas logo caem no esquecimento. Cabe a nós filtrarmos a oferta de “milagres” e buscar aquilo que de fato nos ajuda.
Com Wolfgang Saus, idealizador do Voce Vista Video e mestre do overtone singing. Professor da Anna Maria Hefele

Não vou me alongar para falar aqui de gravação de aula em áudio ou vídeo, que já são práticas bastante comuns, tampouco de aulas online, que já esmiucei AQUI


E você, gosta de recursos tecnológicos? Quais utiliza? Algum diferente? Que acha dessa ideia? Comente aí!!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Configuração da laringe nos Modos de Fonação

Em texto anterior (VEJA AQUI) falei sobre os diferentes Modos de Fonação, é hora de ver como ficam as pregas vocais e a laringe em cada um deles, para tentarmos compreender essas variações.

Temos uma série de músculos influenciando na forma como as pregas vocais vão vibrar, e ao longo da história uma infinidade de termos foram utilizados para denominar os diferentes timbres que elas produzem, desde os registros de peito, cabeça e falsete, que antes se referiam à ressonância e depois, com o começo das investigações fisiológicas, migraram para a laringe, até expressões que surgiram como marketing de cada método lançado por aí.

Os modos de fonação foram sendo aperfeiçoados ao longo dos anos de estudos e ficaram famosos na ciência vocal com o trabalho do professor e foneticista sueco Dr.Johan Sundberg, mas não parou por aí. Depois dele, muitos outros estudos e cientistas pelo mundo exploraram essa abordagem, comparando o uso dos MdF em diferentes gêneros musicais, criando um banco de sons de cada modo e buscando a fundo a resposta do que cada um queria dizer.

O austríaco, Christian Herbst é um desses cantores e estudiosos que encontrou nos Modos de Fonação um norte mais preciso e desprovido de vontade de vender produto, ou de subjetividade que eles possuem por sua essência e origem investigativa, e aqui vou falar um pouco sobre o que ele trouxe em alguns artigos, incluindo um com o próprio Sundberg e mais um povo da Alemanha, Republica Tcheca e Suécia.

Herbst investigou ao longo dos anos diferentes emissões vocais e fotografou a laringe nos diferentes modos, e com essas informações conseguiu traçar um paralelo com tipos diferentes de adução (fechamento) das pregas vocais e registros, que vou tentar expandir aqui.

Antes de entrar nos Modos, vamos falar de adução, o tal do fechamento da glote, a hora em que uma prega vocal se aproxima da outra.

Em suas pesquisas, ele encontrou 2 tipos diferentes de adução, a quais chamou de Adução Membranosa e de Adução Cartilaginosa.
Basicamente, na adução membranosa, quem se aproxima é a parte da membrana da prega vocal, onde tem a mucosa que vibra, enquanto na adução cartilaginosa aproximam-se as cartilagens aritenóides, fechando a parte posterior. Podemos deduzir que na primeira existe a ação do TA-Vocalis aumentando a borda das pregas vocais, e na segunda existe a ação dos Aritenóideos, ou InterAritenóideos, como preferir, aproximando as cartilagens, veja o esquema:
Aqui é possível ver na coluna esquerda, do "falsetto" que o músculo vocal está fininho, e mesmo com o fechamento das cartilagens no fundo (parte de baixo da laringe) o meio das pregas vocais não se apertam, diferente da coluna da direita, do "chest" onde o músculo vocal mais "gordinho" já cria contato nas pregas vocais mesmo com as cartilagens aritenóides mais "frouxas".

Tente identificar o mesmo efeito nas fotos abaixo
Para este pesquisador, a diferença entre voz de peito e falsete está no músculo TA interno, o vocalis, que quando acionado aumenta a borda de contato entre as pregas vocais, tal afirmação concorda com métodos de canto como o Somatic Voicework e os derivados do Speech Level Singing, como IVTOM e IVA, que utilizam essa nomenclatura tradicional.

Voltando aos modos de fonação...

No Modo Soproso temos uma abertura nas cartilagens que deixa escapar o ar, trazendo a sonoridade que batiza o modo, veja na imagem como o contato das pregas vocais não é completo. 

Aqui então, é possível dizer que os músculos AA estão descansando, CAL trabalha pra manter a aproximação das pregas vocais e e o Vocalis também "dorme". É o famoso "falsete", nestes estudos chamado de "falsete abduzido", e isso é assim em homens e mulheres.

Apesar de falar em falsete, é importante dizer que não estou falando de grave e agudo, tudo aqui vai acontecer na mesma nota, e aí fica uma reflexão, pois ninguém fala em falsete grave, mas sim, é possível utilizar a mesma configuração do falsete no grave... Bizarro, hein?

No Modo Fluido, CAL aproxima as pregas vocais, AA estão tranquilões, na rede, e Vocalis (TA interno) aciona. Herbst chamou esse compotamento de "falsete aduzido", a boa e velha "voz de cabeça" para alguns. Você tem aqui um contato maior das pregas vocais, mas muito sutil, ainda com abertura da fenda posterior, que não é doença e nem deixa escapar qualquer tipo de soprosidade... Também não estamos falando em grave e agudo, e em alguns métodos é possível ouvir expressões do tipo "levar a voz de cabeça para o grave". Já ouviu isso?

Já o Modo Neutro de fonação requer a ação de todo mundo, CAL, AAs e Vocalis. Todos participando de uma adução completa sem qualquer escape de ar (quando na fase fechada, óbvio), gerando um som cheio e vigoroso, o que muitas pessoas chamam de "voz de peito" (mas rola no grave e no agudo também). "Levar a voz de peito pro agudo" essa vc já ouviu falar, certo?

Lembrando, como falei no texto anterior, que essas alterações ocorrem de forma contínua, podemos supor que o "mix" está localizado entre Fluido e Neutro, podendo pender mais pra um ou mais pra outro, deixando a voz mais "leve" ou mais "pesada".
Chegamos ao final da jornada falando sobre o Modo Pressed, traduzido aqui como Tenso, mas que prefiro chamar de Firme, por que tensão é vista de forma perigosa.

Quem leu o texto anterior vai lembrar daquele modo intermediário e entender as coisas.

CAL, AAs e Vocalis já esão acionados, o que pode ser feito?
Não há consenso ou definição sobre esse tema, podemos supor uma ação do TA externo, já que neste modo há aproximação das pregas vestibulares, podemos supor que isso é fruto do aumento da pressão sub-glótica que tal modo solicita ou até pode ser algo externo ou um uso mais forte de todos esses músculos. 

Nas imagens abaixo fica claro como há o aumento de contato.
Modos de maior contato são observados normalmente em cantores de rock, gospel, blues e no belting. Também é possível encontrar este ajuste sendo chamado de Compression pelo Brett Manning, Curbing pelo CVT, Clamp pela Antropofisiologia Vocal, e muitos outros termos, mas não importa como você vai chamá-lo, apenas saiba que aqui, como há muito contato, você não vai querer forçar, então o volume acaba sendo reduzido, ao menos até desenvolvermos domínio completo desta função.

Este é o modo que muita gente chama de "errado", ou "voz na garganta", mesmo quando executados com perfeição

No neutro e mais ainda no firme, todos os músculos adutores (aqueles que aproximam as pregas vocais) estão bastante ativos, e esses músculos são compostos principalmente por fibras de contração rápida (lembre-se que a adução existe pra gente não deixar nada passar pro pulmão, então tem que fechar rápido) que têm resistência baixa. Exercitar esses músculos pra quem quer cantar gêneros musicais mais "pesados" é vital, e deve ser feito com paciência e continuidade para podermos suportar tal nivel de exigência física, pelo tempo que for necessário, sem sofrermos com fadiga ou abusando da pobre da mucosa, espremida e raspando aí no meio.

E você, já treinou suas duas formas de adução e todos os seus Modos de Fonação hoje?