terça-feira, 22 de maio de 2012

A respiração no canto - Parte 2

A primeira parte deste texto você lê clicando AQUI

O processo respiratório no canto envolve uma série de músculos que precisam funcionar em harmonia - aqui voltamos à discussão da importância de desenvolvermos a coordenação motora do nosso corpo e a propriocepção (percepção de nós mesmos) para desenvolvermos esse, muitas vezes, novo comportamento, pois a maioria das pessoas não possui esse domínio – O diafragma é o músculo principal da respiração, os músculos intercostais (músculos situados entre as costelas), abdominais e mais alguns outros na região também tem participação decisiva, formando o que é chamado de apoio ou sustentação e suporte.
 
O diafragma é um músculo que divide o tórax do abdome, e é o grande responsável pela respiração. Ele tem formato de "paraquedas", e quando seu centro, que é rígido, se abaixa, contraindo, diminui a pressão de ar na caixa torácica fazendo com que o ar fora do corpo seja empurrado para dentro (por isso a falta de necessidade de puxarmos a inspiração com força, atitude que só ajuda a tencionar pescoço e laringe) esticando o tecido elástico dos pulmões, que são preenchidos de ar. Traduzindo, quando o diafragma desce, o ar entra.

Faça o teste de frente para um espelho, tente direcionar o ar para o tórax, elevando a clavícula, e depois para a região abdominal, sinta com as mãos a tensão que os dois tipos geram no pescoço e veja como a região dos ombros se comportam em cada um dos tipos de respiração.
 O vídeo mostra o diafragma trabalhando. Observe a 
movimentação das costelas associada ao do diafragma.

Quando o ar entra, o diafragma empurra os órgãos abaixo dele causando uma expansão na parte inferior do tronco para todos os lados, as costelas se abrem e, se permitirmos, o abdome “infla” (daí a ideia que alguns tem de que o ar vai para a barriga)..
O diafragma, que está abaixado, quer rapidamente voltar a sua posição de relaxamento empurrando o ar para fora, mas nós, cantores, podemos precisar desse ar dentro de nós por mais tempo que o normal, e é aí que entra a sustentação, e aí que entram os músculos intercostais e acessórios (oblíquos e abdominais). Esse "apoio" dado pelos músculos intercostais (estre as costelas) terá a função de segurar as costelas abertas impedindo o retorno repentino do diafragma para sua posição relaxada, auxiliando o trabalho da laringe, que funcionará como uma válvula para a saída aérea, mas jamais poderá ser sobrecarregada por essa coluna de ar que se forma dos pulmões e pela traqueia.

Os abdominais (barriga) entrarão em cena empurrando o meio do diafragma para cima expulsando o ar da forma desejada. Esse movimento abdominal é feito quase que inconscientemente quando treinado e não pode ser exagerado, pois pode causar um grande aumento de pressão de ar contra a laringe, o que será bastante prejudicial. Portanto, a ideia de pressionar o o abdome para cantar pode ser muito perigosa, e pode ser responsável por grande parte do abuso vocal, e normalmente o é. Falei aqui do movimento abdominal para que você saiba o que acontece, mas você dificilmente precisará forçar esse movimento, ele é totalmente natural do seu corpo e ocorre normalmente quando a estrutura está bem montada.

Sobre a quantidade de ar necessária, quando  pulmão está cheio, eles fica mais pesado, e favorece o abaixamendo da traquéia, diminuindo a força de fechamento das pregas vocais, auxiliando a uma emissão de ar menos comprimida, e isso pode ser pensado de acordo com a necessidade de cada frase musical e tendência de cada cantor.

Notem a necessidade de desenvolver o tônus (mas não enrijecer) e a coordenação de uma série de estruturas para que esse movimento seja possível e realizado de forma tranquila, algumas pessoas já o fazem naturalmente, outros precisam desenvolver esse mecanismo, e ele é facilmente gerado respeitando a necessidade de ar que a laringe possui, é ela que vai guiar quanto ar o pulmão envia, e não a força de abdome ou diafragma. Lembre-se que o abdominal faz força quando gritamos, defecamos, fazermos força, não quando cantamos, ao menos, não é necessário fazer.

Para isso a postura deve estar ereta e o corpo precisa possuir resistência física para aguentar o trabalho intenso, é um comportamento novo que deve e pode ser aprendido por qualquer um. É como ir à academia, quanto mais você vai, quanto mais repete de forma correta, mais rápido ganha controle e agilidade.

Como mencionado anteriormente, é um trabalho integrado, uma parte ajuda e precisa da outra. O objetivo é a respiração livre e eficaz para o canto e o controle da emissão sonora, o método é o treino consciente e direcionado, não há truque para o sucesso, não há alento mágico, não há dicas especiais, apenas trabalho e dedicação.

A laringe vai regular a quantidade de ar necessária para cada canção ou estilo musical que estiver executando, e não o contrário.

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