quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A tecnologia no auxílio do canto

Quando falamos em utilizar recursos tecnológicos muitas pessoas mais tradicionalistas torcem o nariz, dizem que nunca foi preciso nada disso e esse tipo de coisa. Esquecem que a partitura já foi uma inovação, o piano já foi uma inovação, exames de voz foram e para alguns ainda são uma inovação.

Bom, o mundo girou e hoje as pessoas não saem de casa sem smartphones e vivem rodeadas de infinitas quinquilharias que tornam o dia a dia mais prático (óbvio que muita coisa inútil é usada apenas por consumismo, mas esse assunto fica pro boteco).

Na voz o cenário não é diferente, hoje em dia é comum ver fonoaudiólogos aplicando bandagens, laser, eletroestimulação, cada um desses com seus estudos, utilidades e métodos específicos de utilização, como tipos de corrente elétrica, posicionamento das bandagens nos músculos, etc. Teoricamente, eles sabem o que estão fazendo, conheço profissionais muito sérios que gostam e que não gostam, cada um tem seu estilo. Importante frizar que existem cursos e certificações para cada uma dessas atividades.

Mas o foco aqui é canto, e podemos dividir essa tecnologia em coisas mais simples e físicas e softwares de computador, que vou tentar listar:

Tubos de ressonância: tubos de vidro, de silicone, canudos, com água, sem água, com espessante, etc. Infinitas possibilidades e usos dos mais variados. Vou colocar aqui nessa categoria copos e demais aparelhos para o treino de trato vocal semi ocluído, que já mencionei AQUI

Cachimbo de bola: também é um ETVSO, mas vem com uma ferramenta visual para verificação do fluxo de ar, eu adoro.

Prancha de equilíbrio e/ou trampolim: para estimular a utilização da musculatura que sustenta o corpo e participa do controle respiratório. Nunca usei no meu estúdio, mas minhas amigas Thays Vaiano e Flávia Badaró do Atletas da Voz e da Maratona Vocal indicam o trampolim e têm bastante sucesso.
Máscara de retorno ou ressonância: Como os hearfones, utilizadas para que o cantor ouça com fidelidade e precisão o que estão executando. Herança de cantar com um balde na frente, cantar no canto da sala, cantar com as mãos em concha nos ouvidos, etc. Nada de novidade, porém mais prático. 
Nebulizador: Não é exatamente para o canto, mas se você é cantor, tenha um, hidratação na hora. Atenção, use apenas e somente e nada mais, soro fisiológico. Prefira soro à água e jamais adicione remédio sem orientação médica, você pode arruinar sua voz. É sério...

Medidor de pressão subglótica: Aqui uma engenhoca que parece saída do filme dos caça fantasmas, mas que indica o quanto de “força aérea” você está mandando paras as suas pregas vocais. É ótimo, simples de utilizar, mas muito caro para a nossa realidade tupiniquim, cerca de 700 dólares.
EGG: O aparelho de eletroglotografia mede o nível de contato das suas pregas vocais, grande indicador de tensão ou de modos de fonação. É preciso um bom nível de conhecimento para entender os dados e também fere o bolso (750 doletas).
Máscara de glotograma de fluxo: Aqui algo incrível para medir com precisão os modos de fonação que o cantor está utilizando. Outro aparelho que exige muito conhecimento e zeros disponíveis.

Esses três últimos instrumentos tive contato no curso Ciência da Voz Cantada na Suécia mas não os possuo, infelizmente.
Com o Professor Sundberg e a máscara
Softwares: Aqui vou dividir em duas categorias, os gratuitos e os pagos.

Grátis: Programas como o MADDE,  um sintetizador de voz, o spectrum RTSect, o espectrograma Wavesurfer e o Sopran são ótimos para mostrar aos alunos em tempo real como está a afinação, a ressonância, indicam até mesmo se há muito ou pouco contato nas pregas vocais através da relação entre os primeiros harmônicos, você pode verificar os formantes, ataques, fluxo de ar, intensidade da voz, quebras de registro, analisar vibrato, etc. São fantásticos e acho que todo professor de canto e cantor tem muito a ganhar aprendendo a utilizá-los, e nem são tão difíceis. Entendendo o conceito a prática é simples, só bater o olho e ver a voz. É possível até diferenciar tipos de distorções vocais. Que tal, hein?
Minha versão sintética no MADDE depois de ter a voz "revelada" na filtragem inversa. 

Pagos: Programas como o Voce Vista 3 e o Voce Vista Video reúnem todas as possibilidades dos gratuitos e, no caso do Video, vão muito além. Fazer trabalho de ajuste de ressonância (formant tunning) com ele é a coisa mais fácil que existe. Sabe quando você ouve uma voz ou efeito e quer tentar cantar igual? (Alô cantor de cover) Com esses programas isso fica muuuuuito mais fácil, pois você consegue ver a voz que quer fazer e checar se a sua está de acordo. Imagine você, professor, que passa um exemplo e o aluno não pega de ouvido. Que tal se ele puder olhar qual a diferença?

Além do professor de canto, isso é muito útil para o cantor que treina sozinho (ou seja, todo mundo que não faz aula de canto 7 vezes por semana), pois ele pode contar com uma forma prática de feedback, que é a função principal de um bom professor, saber indicar quando a coisa está boa e quando não está. Claro que o programa não diz o que fazer para corrigir, mas se você tiver conhecimento suficiente, vai entender os indícios que ele dá.
Se você puder comprar o Voce Vista Video, compre, não vai se arrepender. O idealizador é um alemão extremamente simpático que teve a ideia para treinar overtone singing, e ele é gênio nisso.

Lógico que todos esses treinos são possíveis sem esses aparelhos, mas a ideia aqui não é substituir o profissional e sim auxiliá-lo. Recursos visuais facilitam muito a compreensão e aprendizado, quem já utilizou da forma correta sabe o ganho que isso implica e como o aprimoramento fica mais rápido e o treino mais eficiente.

Lógico também que muita coisa é inventada apenas para vender e ganhar dinheiro e muita tranqueira acaba depois se mostrando pouco útil ou complicando mais a situação, mas essas logo caem no esquecimento. Cabe a nós filtrarmos a oferta de “milagres” e buscar aquilo que de fato nos ajuda.
Com Wolfgang Saus, idealizador do Voce Vista Video e mestre do overtone singing. Professor da Anna Maria Hefele

Não vou me alongar para falar aqui de gravação de aula em áudio ou vídeo, que já são práticas bastante comuns, tampouco de aulas online, que já esmiucei AQUI


E você, gosta de recursos tecnológicos? Quais utiliza? Algum diferente? Que acha dessa ideia? Comente aí!!

Um comentário:

  1. show!! parabéns Mauro por compartilhar suas experiências e idéias, pois isso fortalece a categoria !!

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