quarta-feira, 17 de junho de 2020

Novos Horizontes

Olá pessoal, hoje estou aqui para falar sobre o presente e o futuro, mas antes quero começar com o passado.

Quando iniciei este site/blog não fazia ideia de onde ia dar, na verdade nem tinha muitas pretensões além de me forçar a estudar os temas que eu postava. O fato é que o material acabou atingindo muita gente e de tudo quanto é meio e lugar e desde então venho recebendo respostas incríveis. Essa vontade de estudar e entender mais sobre a voz foi me levando pra frente e me trouxe até os estudos mais formais e acadêmicos.

Pois bem, muitos de vocês já sabem, mas agora estou morando na Espanha. Vim fazer doutorado aqui com uma das principais profissionais na pedagogia e ciência de voz atualmente, que é a Dr. Filipa Lã, quem eu conheci em 2017 no curso de Ciência da Voz Cantada na Suécia. Ela, além de ter um nível de qualidade no que faz incrível, faz parte do grupo de profissionais do nível de Johan Sundberg, Brian Gill, Svante Granqvist, Sten Ternström, etc., e óbvio que já estou aproveitando pra beber nessa mesma fonte, hehe

Com Filipa Lã no curso de Ciência da Voz Cantada em 2017 na Suécia

Além de fazer minha pesquisa de doutorado aqui em Madrid, também fui contratado pela universidade, depois de um concurso que levou meses, como assistente de pesquisa no, em construção, Laboratório de Voz, Música e Linguagem da UNED, comandado pela própria Filipa.

Essas duas atividades são incríveis, mas, somado ao Curso Online de Formação em Pedagogia e Ciência Vocal (PCV), me demandam um tempo surreal, portanto dar aulas particulares está muito complicado.

O PCV vai continuar e já está indo para uma nova edição, graças ao apoio e interesse demonstrado pelos alunos do curso, que so me estimulam a torná-lo cada vez mais completo.

Temos aqui dois cenários:

Aulas presenciais: Obviamente sem chance, a menos que você venha pra Madrid ou se eu passar pelo Brasil em algum momento.

Entretanto, como venho atuando na formação de professores de canto e profissionais que lidam com a voz cantada, esses excelentes profissionais serão sempre indicados para assumir os trabalhos com os alunos presencialmente pelo Brasil. Tenham certeza que jamais indicarei quem eu não julgar capaz de fazer um trabalho de altíssimo nível, e o PCV é puxado o suficiente pra garantir isso, hehe.

Em breve vocês verão aqui no site uma aba especial com os professores e preparadores formados pelo curso.

Quanto as aulas online, meu tempo anda muito complicado por conta de tudo isso. Minha pesquisa de doutorado é enorme, a pesquisa da Filipa na qual estou trabalhando como assistente é gigantesca e o PCV é infinito, hehe... Tudo isso com um bebê de um ano e uma pandemia rolando...

Pretendo dar aulas sempre que possível, pois é algo que me dá muita alegria, mas não posso prometer sequência, por enquanto, então quem quiser fazer aulas comigo vai precisar de um pouco de paciência pra eu conseguir encaixar na agenda.

Além disso já tenho agendada a participação em alguns cursos no Brasil que eu posso ministrar daqui, como a pós-graduação de de pedagogia vocal da Faculdade Santa Marcelina e a tradicional aula de distorções vocais no curso da fonoaudióloga Fernanda Lopes. 

Já espero com ansiedade por mais convites do tipo :)

E até quando será assim? A resposta é simples:

Não tenho nem ideia, hahaha

Agradecimentos eternos a todos vocês e nos vemos!!!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Os profissionais da voz: professor de canto, fonoaudiólogo, preparador vocal e laringologista


Muito se fala do trabalho integrado entre os diversos profissionais da voz e de como eles podem atuar no desenvolvimento e cuidado da voz de um cantor, mas em muitos momentos não está claro quem deve, ou pode, fazer o que.
Existem as profissões citadas no título e outras que podem entrar e contribuir muito, como quem vai cuidar do corpo, da alimentação e da mente do artista, mas vou falar apenas dos que lidam diretamente com a voz.

Na minha visão, mais do que a profissão que cada um exerça, é importante entender o papel de cada um, pois isso vai determinar a formação que épreciso ter. Existem 3 campos onde esses profissionais podem atuar: habilitação, reabilitação e direcionamento artístico.

Habilitação é o ato de tornar alguém capaz de fazer algo, reabilitação é pra quando esse alguém deixa de fazer o que sabia e precisa retomar, e direcionamento artístico vai trabalhar as estéticas específicas e nuances de interpretação e repertório que será executado.

E onde entram as 4 profissões nessas 3 áreas?

Pois é, um dilema matemático. Existe um trabalho de 2 excelentes professores e pesquisadores, o americano Brian Gill e o austríaco Christian Herbst, que acredito que resolve esse dilema, e vou me inspirar nele para comentar aqui.

Esses 3 papéis podem ser divididos em: Construção da Voz, Preparação Vocal e Reabilitação.

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O papel de construção da voz pode ser realizado por um professor de canto que entenda profundamente de fisiologia da voz, acústica e ciências da voz em geral ou por um fonoaudiólogo que seja especialista em voz e entenda de música e das necessidades de cada cantor em cada tipo de repertório. Essa pessoa será como o luthier, responsável por ensinar o cantor a acionar mecanismos e comportamentos vocais, ter condicionamento, resistência, flexibilidade e ser capaz de produzir diferentes ajustes de voz. É ele que ajuda o cantor a ampliar a extensão vocal, alternar timbres, realizar efeitos como ornamentos e distorções vocais. Este tem que ser capaz de transformar completamente a voz de um cantor, iniciante ou profissional.

Resultado de imagem para aeroviario pistaA preparação vocal vai pegar tudo isso que foi construído e vai dar uma utilidade prática. Este pode ser um professor de canto, obviamente um preparador (vocal coach, pois em inglês fica mais gourmet) ou diretor musical e até mesmo fonoaudiólogo, cantor, produtor de estúdio, etc.. Aqui a necessidade de um conhecimento estético e de modelos de resultados sonoros e artísticos é imprescindível. Não se faz preparação vocal sem entender muito de música e de diferentes estilos de música e suas especificidades. Este normalmente possui experiência real de palco, viagens, gravações e performance e irá trabalhar fraseados, dinâmicas, modulações, escolher onde cada tipo de produção vocal fica melhor e por aí vai. É a organização do tal do “feeling”, é o que faz o trabalho do luthier da voz aparecer com maestria. Ele pega um cantor já tecnicamente bem resolvido e mostra onde se destacar.

Resultado de imagem para laryngologyNo papel da reabilitação o professor de canto entra como auxiliar, ajudando, sob orientação, o cantor a utilizar a voz sem que isso o cause danos, ou dificulte sua recuperação, mas quem manda nesse papel é o pessoal do jaleco branco. Aqui otorrinos fazem o diagnóstico, medicam quando necessário, operam em último caso e passam a bola para a galera da fono montar os programas de terapia mais eficientes em cada situação. O ideal é que sejam especialistas em trabalho com cantores, dá muito problema passa em profissional da saúde que não entende das especificidades da voz cantada. Se um cantor faz terapia com fono, quando essa termina o/a fono pode seguir em um dos outros dois papéis, apenas se estiver muito bem preparado para tal assumindo que não será mais realizado trabalho de rehabilitação mas de construção ou preparação, ou indicar para outro profissional mais apropriado.

Seguindo essa ideia fica muito mais fácil entender como cada um auxilia o trabalho do cantor. O cantor precisa desses 3 papéis, que as vezes pode ser feito por 2 profissões e as vezes pode precisar de 4 ou até mais, dependendo de cada caso.

No fim, ainda sobra o principal, o próprio cantor. Este deve procurar as pessoas que mais se identificar, tentando driblar as tentações do marketing fácil e se empenhando para fazer com que cada um desses momentos seja o mais proveitoso possível, se dedicando aos estudos e treinos ou à terapia, pois profissional da voz ainda não faz milagre 😉

Você sabe de qual precisa?

terça-feira, 7 de maio de 2019

Convite para pesquisa

O texto de hoje é um convite para os cantores que utilizam qualquer tipo de distorção vocal.

Mauro e Filipa Lã na
Universidade de Coimbra (Portugal)
Não precisa ser profissional, apenas cantar e usar distorções seja numa sílaba, seja no repertório todo. pode ser cantor de funk, sertanejo, pop, rock, metal, gospel, musical, ópera, o que for.


Explicando melhor:


A professora portuguesa Filipa Lã e eu estamos coletando respostas de cantores que façam uso das distorções vocais em um questionário. Nossa intenção é conhecer as práticas e razões pelas quais nós usamos esses ajustes.

O material será depois formatado para um artigo científico e estará disponível aos interessados

O questionário foi produzido em duas línguas, português e inglês, então, pedimos que vocês respondam um só, e enviem o link para seus contatos em qualquer lugar do mundo. A participação de vocês é super importante para nós e trará uma nova luz sobre esses efeitos de voz.


Contamos com vocês!!

sexta-feira, 8 de março de 2019

Um dos maiores problemas dos estudantes de canto


Sabe qual o maior desafio que um estudante de canto tem em sua busca por desenvolvimento?

Agudos? Melismas? Distorções Vocais? Belting? Passagem? Medo de palco? Qual você acha?

Não é nada disso, o maior problema é falta de entendimento entre as diferentes escolas de canto no que se refere à linguagem utilizada.


Explico com um exemplo:

Belting é voz de peito? Sim ou não?

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E a reposta é sim e não, depende de quem fala e de qual conceito tem de voz de peito. 
Eu já mencionei em outras ocasiões que o termo "voz de peito" não me agrada, pois pode trazer imagens e um histórico que muitas vezes atrapalha o cantor. Isso significa dizer que dizer "voz de peito" está errado? Obviamente não. Atualmente muitos profisionais da voz querem imprimir suas marcas no mercado e acabam desprezando séculos de história que deu certo e que nos deu grandes ídolos. Existem relatos do uso de "voz de peito" e "voz de cabeça" ou algo similar desde o século XIII, bem antes de se falar em ópera, antes que alguém venha dizer que "é coisa que só se apllica na ópera". Eu não uso, mas sei que não é errado e que há quem adore o termo e seja extremamente competente, é uma questão de gosto.

Mas aí volta a questão do Belting. Para algumas pessoas, voz de peito é uma voz que tem vibração no peito, para outras é uma voz produzida quando há maior atividade do músculo TA, e temos aqui outro problema. Lembra que o TA tem diferentes feixes? Sim, tem um feixe que encurta as pregas vocais e outro que as aproxima (movimento de adução). Quando alguém diz que voz de peito é a que tem predomínio do TA pode estar falando que é uma voz onde há encurtamento das pregas vocais, ou seja, direcionamento para notas mais graves da voz, ou pode estar falando de uma voz com maior adução, o que gera maior sensação de peso na voz.

Temos aqui o começo da discórdia. Para aquele que define que peito é TA encurtando pregas vocais, belting jamais será voz de peito, pois belting é agudo, não faria sentido algum. Para o que vincula peito a adução, belting é sim voz de peito. Quem está certo nesse caso e quem está errado? Os dois estão certos e errados, apenas não pararam pra especificar sobre o que estão falando. E onde entra a sensação de vibração no peito nessa história? Não entra...
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Aí vai o estudante de canto, cheio de vídeos, métodos e instruções na cabeça e tenta fazer o belting que é peito segundo alguns mas não pode ser peito segundo outros... Entendeu o drama? O cara se confunde todo e trava a voz simplesmente por que entrou nessa mistura de conceitos e egos inflados, em que a ideia de quem fala é sempre a certa e a do outro sempre a errada, sem parar pra tentar entender a razão da desavença.

O mesmo ocorre em inúmeros outros casos, certamente você já lembrou de algum que aconteceu com você. 

O importante é buscar uma linha de raciocínio que te agrade e que te faça entender como a voz é produzida e que siga um programa de treinamento funcional da voz. Só dessa forma você conseguirá traduzir o que se fala por aí e entender que muitas vezes por trás da vontade de ter razão existe uma forma de trabalho pode ser excelente, mas que gasta muita energia brigando com gente que está falando coisas diferentes em situações diferentes.

Nosso papel de educadores de cantores (não apenas de vozes) é o de esclarecer as coisas e oferecer opções, não a de aparecer e virar estrela e donos da verdade absoluta. Lugar de estrela é no palco, quem opta por estar nos bastidores deve entender que muitas vezes a vontade de brilhar atrapalha e tira o sentido dessa função tão incrível.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Cantar “rasgando a voz” pode ser uma prática saudável?

Esse é o título da comunicação que escrevi para o pediódico DIC - Distúrbios da Comunicação, junto com minha orientadora do mestrado, a fonoaudióloga Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva.

O texto é um panorama geral sobre as distorções, as pesquisas realizadas, os métodos de ensino e o que se sabe sobre a manutenção da saúde vocal ao realizá-las

Eis o resumo da obra: Cantar com a voz distorcida ou rasgada como é mais conhecido popularmente é comum em diversas formas de canto e não apenas no rock. As chamadas distorções vocais intencionais estão presentes na música há muitos anos e nas mais diversas culturas humanas. Mesmo assim esses tipos de produção ainda esbarram em preconceitos no sentido de se considerar, sem comprovação científica, que são prejudiciais à saúde vocal. O objetivo desta comunicação foi refletir sobre as distorções vocais intencionais no canto em um diálogo entre a Música e os campos que estudam a voz cantada como a Fonoaudiologia e a Laringologia. Na perspectiva de expandir o conhecimento sobre essas formas de emissão e relacionar as pesquisas que investigaram o assunto.

Se você quiser ler o texto na íntegra, é só baixar o PDF, de graça, no link: https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/38335

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Aulas de canto online - ZOOM

Já falei bastante de aulas de canto pela internet or aqui, mas agora gostaria de fazer uma atualização:

Skype já era!!!

Pois é, já a algum tempo depois de anos lidando com o pesado e limitado Skype aderi ao programa que muitos recomendam nos EUA, o Zoom.

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Vamos falar das vantagens:
- O programa é mais leve, consequentemente seu computador é menos sobrecarregado e a transmissão da aula é melhor
- A primeira vantagem já seria suficiente, mas tem outra ótima, no Zoom você tem um botão pra gravar direto na tela. No Skype você precisava usar um programa esterno, que muitas vezes falhava e/ou era pago. No Zoom não, é só dar o REC e assistir depois. Gravar em vídeo é uma super vantagem até sobre as aulas presenciais.

Tem desvantagens?
- Na primeira vez que você abre o Zoom você tem que configurar as entradas e saídas de áudio, pra isso, é só ir no settings e fazer os testes que ele dá automaticamente, é bem simples e não chega a ser um problema, mas foi a única desvantagem que achei (veja como abaixo).

Pra quem não conhece, vale baixar no www.zoom.us
Se você faz aula, fale pro seu professor experimentar, se você dá aula online, não perca tempo e mude já.

Se quiser fazer aulas online comigo é só entrar em contato pelo e-mail: mauro.bf@gmail.com
Além das aulas e preparação vocal tradicionais também estou ministrando consultorias de acústica vocal e uso do programa Voce Vista Video pelo Zoom, é ótimo pois serve como um grande complemento ao Ver a Voz e ao curso de Pedagogia e Ciência Vocal, já que você pode usar os programas e ver se está conseguindo entender na hora, enquanto faz na prática.

Agora um mini tutorial do Zoom

Primeira coisa é descobrir onde vc instalou o Zoom e abrir o programa
Agora vá ao Settings, ou configurações, aquele botão em formato de engrenagem no canto superior esquerdo. Nele, clique na aba Audio, no menu da esquerda. As outras abas têm opções que depois você pode fuçar pra ver se gosta de algo.

Aqui é importante perceber que cada computador vai ter informações diferente nos campos 1 e 3, não procure copiar o meu.
1 - Nome da sua saída de áudio, ou seja, seu alto falante, caixa de som, fone, interface de áudio, etc. Provavelmente já estará correto, e isso vc descobre clicando no botão da casa 2
2 - Teste de saída de áudio. Se você apertar esse botão e não tocar musiquinha volte na caixa 1 e selecione outra opção das que o programa te oferecer
3 - Nome da entrada de áudio, ou seja, seu microfone ou interface de áudio
4 - Apertando aqui ele começa a gravar seu microfone por alguns segundos e depois toca a gravação automaticamente. É só apertar e falar qualquer coisa para o programa conferir se o som está sendo captado corretamente. Caso não ouça nada depois da gravação, volte na caixa 3 e mude a opção
5 - Deixe essa caixa desmarcada, isso acaba com muitas aulas de canto. Quando o ajuste automático de volume está marcado o programa detecta qualquer som contínuo como ruído e abaixa o volume da entrada de áudio para deixar a conversa agradável... Existe aula de canto sem som contínuo? Não, então deixe esse campo desmarcado!!!

O mesmo procedimento deve ser feito na aba Video do menu à esquerda, na qual você deve conferir se sua entrada de video está correta. Se a câmera ligar e você se ver saberá que está funcionando, se não, mude a opção da mesma forma como descrito nos números 1 e 3 acima.

Agora, veja a tela abaixo, o que acontece quando você tem uma fonte de luz forte atrás de você.
Exatamente, não dá pra ver nada. O ideal é ter uma fonte de luz frontal indireta, ou seja, uma luz virada pra frente, que bata na parede ou em outra superfície e que o reflexo da luz nessa superfície te ilumine. Luz direta no seu rosto pode causar o oposto e te deixar todo branco, mas se for a única opção, é mehor que nada.

1 - Esse botão deve aparecer igual o da imagem, se não vai desligar seu áudio
2 - botão para compartilhar sua tela, muito útil para mostrar vídeos de suas apresentações para o professor, anotações de estudo num Word da vida e indispensável em consultorias de softwares como as que faço com o programa de feedback em tempo real Voce Vista Video
3 - Botão de gravar, aperte esse botão e você irá gravar a aula para estudar nos outros dias. Essencial!!

Pronto, você já sabe o que precisa para ter/dar aulas online com o Zoom.

Aproveite

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Pressão, fluxo de ar e apoio


Eis um tema cheio de mal-entendidos e confusão e que faz toda a diferença quando a gente entende com clareza.

Qual é a diferença entre pressão de ar e fluxo de ar? Onde entra o apoio nisso tudo? Tem a ver com o diafragma?

Falou em pressão falou de algo físico, uma força perpendicular, ou seja, algo está empurrando. Você faz pressão para pregar um prego na parede.
Fluxo já é outra história, fluxo é aquilo que passa, que transborda, que flui.

No canto isso quer dizer que pressão de ar é a força com que o esse sai dos pulmões e chega nas pregas vocais (coitadinhas) e o fluxo de ar é a quantidade de ar que a gente deixa passar pelas pregas vocais para virar som. Sim que a gente deixa (cérebro wins!!)

Imagine uma caixa d’água. A água que desce vem com uma pressão e desce pelo cano, certo? OK, nossas pregas vocais nesse caso são a torneira que está nesse cano. Responda rapidamente sem consultar um encanador. Quem controla o quanto de água sai no exemplo acima, a caixa d’água ou a torneira?
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Exato a torneira. É nela que está o registro que você gira para permitir ou não a passagem de água.

E com a voz é a mesma coisa. Água e ar funcionam de formas muito parecidas. Quem controla o fluxo de ar são as queridonas das pregas vocais. E daí?
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Sua voz já passou por isso?

E daí que quando o cantor ouve coisas do tipo “você tem que manter o sopro”, “você tem que cantar sobre o ar”, “você tem que deixar a voz fluir” ele não pode pensar de jeito nenhum que isso vai se resolver com apoio, suporte, respiração ou fé.

Pra gente conseguir manter a voz homogênea ao longo da extensão (quando isso for desejado) o que nós temos que aprender a sentir é o quanto de resistência das pregas vocais estamos aplicando no ar que sobe, ou seja, o quanto a gente tem de contato glótico. Lembra dos MODOS DE FONAÇÂO? (Se não lembra, clique aqui veja JÁ).

Se a voz não está “fluindo” ou não está deixando o “sopro livre” provavelmente a gente quer menos resistência nesse mecanismo nessa hora.

E se a gente pensar que tem que mandar mais ar ao invés de “abrir a torneira”? Bom, mandando mais ar a gente aumenta a pressão e como nosso corpo reage a isso? Fechando a torneira. Sim, você entendeu o drama. Ao mandar mais energia, mais força, mais amor e mais pegada o risco maior é o de bloquear o sistema todo e gerar um sobre-esforço violento, daí surgem as quebras, limitações de extensão e tudo mais.
Imagem relacionada
Aqui o dedo faz o papel de resistência pra pressão de água
Se você quiser ser super nerd da voz (aconselho), pense que o fluxo transglótico (aquele que atravessa a glote) é o resultado interação entre pressão subglótica (força que o ar vem) e a resistência glótica (o quanto as pregas vocais estarão em contato).

Então lembre-se, pressão e fluxo são coisas diferentes, que conversam mas interagem de formas diferentes de acordo com o tipo de canto que está sendo produzido. Saber entender os dois é vital para uma técnica precisa.